Dimensão improvável
Tem pessoas que gosto tanto, tanto, que jamais saberei dizer. Eu poderia dizer: “um tanto assim, ó…”, e abrir bem os braços, mas não teria envergadura suficiente, nem que eu fosse um gigante. Às vezes até penso em citar nomes, mas isso poderia criar problemas. Amar pessoas deveria ser mais simples. Tão simples quanto amar os quadros pintados por Renoir. Eu não as quero pra mim – na verdade eu não quero ninguém pra mim – e talvez justamente por isso é que posso dizer que amo. Eu as contemplo, e às vezes entendo o que sentem. Às vezes passo a sentir o mesmo. Saio enriquecido por suas maneiras de ser e viver. Às vezes vivo uma experiência de comunhão de olhares, e saio enriquecido de alguma forma que não entendo bem. Algo do inconsciente sagrado.
Tem pessoas que mal sabem que eu existo, e que eu colocaria no primeiro escalão da minha lista de estimados. Se eu lhes dissesse isso, provavelmente se surpreenderiam. É que não pertenço ao grupo dos seres objetivos que sabem mensurar, dimensionar, e consequentemente, falar. Meu amor é a-dimensional, e é a única novidade eterna e indizível. Jamais será provado.
Edimar
14/01/2010
