Será que estou conquistando a tão sonhada independência literária? Será que consigo transformar pessoas em literatura e assim ficar mais próximo delas, e até melhor que isso, tornar-me um descobridor de seus segredos a partir do momento que palavras surgem de algum lugar? Já que não posso viver com ela, e já que não posso viver sem ela, para não entrar em parafuso vou fixar-me nos únicos meios de comunicação que me deixam à vontade, expondo minhas frágeis competências individuais, afinal de contas, em algum aspecto a gente precisa deixar nossa marca ao longo da vida. Pode não ser muito, mas é o que as minhas forças permitem, por ora. Talvez não seja compreendido pelas “moscas da praça pública”, mas recuso-me a agir como um capitalista idiota. Sequer consigo, na verdade. Talvez isso me prive de conquistar riquezas com facilidade, afinal não sou “esperto” o suficiente para enganar os outros e por incrível que pareça ainda acredito nas pessoas. Enfim, não importa; consciente das leis de causa e efeito e do equilíbrio universal, sigo deixando pelo chão “a casca dourada e inútil das horas”, como disse Quintana. Apesar disso, pressinto que ainda serei terrivelmente acusado por minha própria consciência, acerca de coisas que nem sei, no momento. É mister que seja assim, de um jeito ou de outro a gente aprende. Não julgo ninguém, ou não pretendo; a forma de me vingar daqueles que me subjugam, é anulando esse padrão de comportamento; é evitando criar situações constrangedoras ou conflitos desnecessários com quem quer que seja; é tentando ser o melhor que posso, pois a única forma de curar uma sociedade doente é começar curando-se a si mesmo. Pode parecer clichê, palavras bonitas, mas o que mais me resta nessa festa? Estou jogando palavras ao vento, tentando ser mais impulsivo em relação a qualquer coisa que apareça sob a forma de pensamento, por mais idiota que seja.
Hoje começou o BBB 10, o programa mais absurdamente idiota e medíocre da história da televisão. Faço questão de não assistir nenhum episódio, mas não consigo evitar de ouvir falar nele e me indignar. Nem sei por quê ainda me indigno com as coisas, espero que isso não resulte numa gastrite ou algo do gênero. Mas ainda acho que deve haver alguma menção ao BBB no Livro do Apocalipse, vou dar uma verificada.

- Hermann Hesse
O que me alivia é o contato com as plantas, ou a visão das estrelas, ou as palavras de Hermann Hesse, um dos maiores escritores de todos os tempos. Eu me identifico totalmente com sua forma de pensar e enxergar a vida. A matemática me ajuda também muitas vezes, pois a graça dos números me traz experiências quase religiosas, conforme a natureza do problema.
Tenho certeza que tudo está sendo visto e planejado por seres invisíveis que comungam entre si uma existência muito superior à racionalidade do homem. Por exemplo: quando algo sai errado e justamente por ter saído errado é que acontecem alguns eventos “por acaso”, na verdade não foi “por acaso”. Confuso? Vou tentar explicar melhor. Imagine que eu estou andando na rua, e sem querer dobro na esquina errada, e isso me faz encontrar certa pessoa e desencadear uma série de eventos que eu não podia sequer ter imaginado. Por acaso? E se eu tivesse dobrado na esquina certa, então tudo na minha vida poderia ter sido diferente? Claro, mas é impossível saber como, porque tudo sempre pode ser diferente. Sempre, a cada segundo. É só questão de escolha. Mas é melhor não olhar pra trás, pra não virar estátua de sal, e nem olhar nos olhos da Medusa, para não ser petrificado.

- Red Special
E nada como o bom e velho Rock’n Roll para trazer também algum alívio. Ele às vezes me irrita, mas em geral me arranca da minha melancolia inata, e isso por si só já é plenamente compensador. Dia desses, durante uma viagem, ouvi Janis Joplin e a sua voz marcante me encorajou a viver. Roy Orbison parece amor antigo numa cidade grande, dentro de algum carro e sozinho no meio da madrugada. Queen é êxtase sonoro; a guitarra de Brian May canta quase tão bem quanto o próprio Freddie. Beatles e Pink Floyd (e o “diamante louco” que segue a brilhar), viram de pernas pro ar todos os meus padrões de pensamento. O grande Raulzito, em sua maluquice controlada, inicia-me nos mistérios de sua perfeita expressão de autenticidade. Impossível citar tudo nestas poucas linhas, por se tratar de tema imensamente amplo. Basta que seja rock, cujas guitarras me levem ao âmago de qualquer coisa que valha a pena, que abale as estruturas caducas em que nos apoiamos.
Não sei pra quê tudo isso, mas metade de mim está ligeiramente feliz por minha quase perfeita expressão de saúde física. Feliz por coisas aparentemente pequenas, cujo valor raramente é notado. Feliz até por conseguir escrever um texto que julgo ser tão prosaico.
A outra metade de mim confunde-se naqueles labirintos mágicos de sempre… e você, que está lendo aí, saiba que, embora não pareça… eu sinto a sua falta.
“Não posso viver com você…. e não posso viver sem você…”
E só vou parar porque estou cansado. Até a próxima!
Edimar
12/01/2010