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Archive for janeiro \29\UTC 2010

Amor e loucura: governo invisível

29 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Cuida de mim, ainda que eu esteja perdendo a sanidade.

Ainda que as letras que conceituam todas as coisas

acabem por embaralhar minha visão.

Apesar dos movimentos involuntários de minha personalidade.

Longe disso, eu ainda sou alguém… atrás da cortina.

Lá onde não penetram as luzes artificiais.

Onde se calcula a rota do vôo de borboletas

que ainda nem saíram do casulo.

E o tempo dança uma valsa no salão dos espelhos

passo para trás, estou no século dezoito

passo para frente, vejo samsara em minha nave interior.

e a galáxia suspensa entre a sístole e a diástole

e o destino de todos os mundos, em todos os sistemas

depende de mim.

Da minha morte anunciada.

Do amor liberto

que impulsiona e vivifica um teatro que não me acolhe mais.

Reflexos em águas genesianas…

Reflexos de quem??

Cuida de mim, enquanto tento descobrir

à medida que os pilares de apoio vão caindo ao chão…


Edimar – 29/01/2010


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27 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Sócrates, você sempre esteve certo. Ou não. Eu não sei… na verdade eu não sei nada. Seria melhor se eu simplesmente não quisesse saber. Mas eu quero saber, e no entanto é estranho constatar que jamais saberei coisa alguma. Não sei se estou vivo ou morto, não sei se preciso buscar alguma coisa, se devo temer a Deus ao mesmo tempo em que tento persuadi-Lo. Não sei se algum dia poderei me entregar de fato. Não sei se meus conhecimentos técnicos têm algum valor além da insana luta pela sobrevivência nesta terra de ninguém. Estou exagerando: às vezes não quero saber, às vezes estou feliz. E me basta o abraço de alguém que entrou subitamente na história, não sei por quê. Se acaso eu sei, não posso dizer. Existem mundos impenetráveis pelas palavras e pelos entendimentos de superfície. Momentos lapidados em diamante na memória da natureza. Sorrisos que suavizam e até justificam o eterno não-saber.

Mesmo assim eu sonho com imagens distantes. Me entrego em sonhos e em delírios que ardem feito brasa. Ser feliz, pura e simplesmente, ainda não parece certo. Não sei o que é certo ou errado, ou se faz sentido pensar nesses termos. O único impulso que preciso é de um coração flamejante que ainda consiga se deslumbrar. A ignorância é aceitável, mas o deslumbramento… esse jamais poderá ter um fim!

Edimar
26/01/2010

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Wind of change

25 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Há algo no ar…. uma leve brisa fazendo ondular as águas do inconsciente… um pequeno movimento de forças trazendo uma certa esperança indefinida, difusa… a mudança iminente, anunciada pela brisa que se torna vento, um vento que começa mudando cores e cenários, e que vai terminar não se sabe onde. Mas é real e inevitável. Mexe com coisas que não podem ser ignoradas. Mundos que não podem ser subestimados e que cedo ou tarde, colocam-se diante de nós.

A música agora atinge uma pausa entre dois compassos.


“(…) Eu te conheço, alma medrosa, nada te é tão necessário, nenhum prato e nenhuma bebida é melhor para ti, como a volta ao teu princípio. Ali rugem ondas em torno de ti, e tu és onda, bosque e és bosque, não há mais exterior ou interior, voas pássaros nos ares, nadas peixes no mar, sugas luz e és luz, custas sombras e és sombra. Nós caminhamos, alma, nadamos e voamos, e sorrimos e tornamos a unir com delicados dedos do espírito as linhas partidas, reatamos felizes as oscilações partidas. Não procuramos mais Deus. Somos Deus. Somos o mundo. Matamos e morremos com ele, criamos e ressuscitamos com nossos sonhos. Nosso sonho mais belo é o céu azul, nosso sonho mais belo é o mar, nosso sonho mais belo é a noite estrelada, e é o peixe, e é o som claro e alegre, e é a luz clara e alegre – tudo é nosso sonho, cada coisa é o nosso mais belo sonho. Logo morremos e nos tornamos pó. Logo inventamos o riso. Logo arrumamos uma constelação. (…)

Hermann Hesse, em “Sequência de um Sonho”


“Se eu amo o mar, e tudo quanto ao mar se assemelha, e se o amo sobretudo quando me contradiz com mais furor,
se trago em mim essa paixão investigadora que impele a vela para terras desconhecidas;  se há na minha paixão um tanto da paixão do navegante, se alguma vez a minha alegria exclamou:
‘Desapareceu a terra; caiu agora a minha última cadeia,
em meu redor agita-se a intensidade sem limites; longe de mim cintilam o tempo e o espaço; vamos! Coragem, velho coração!’ como não me queimaria o desejo da eternidade, o desejo do nupcial anel dos anéis, do anel do retorno?

Ainda não encontrei mulher de quem quisesse ter filhos, senão esta mulher a quem eu amo: porque eu te amo, Eternidade!”

Friedrich Nietzsche (“Assim Falava Zaratustra”)

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Momentos

17 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.” – Jesus Cristo

Momento I

Ter vida em abundância significa não duvidar da Providência. Não pensar que nossa felicidade possa depender de outra pessoa, ou situação. Reconhecer-se como herdeiro natural de todo um reino de alegria e beleza. Você é filha(o) de DEUS, portanto não deixe que a tua paz e alegria dependa das expectativas que você cria mentalmente. Você já tem tudo o que precisa. NADA acontece por acaso, nem mesmo os deslizes que expõem as nossas fraquezas humanas. O mundo é volátil, ele dilui-se em si mesmo e altera todos os cenários e circunstâncias, com os quais você deve aprender… e seguir em frente. Distanciar-se. Você está acima disso.

Momento II

Tão volátil quanto o mundo, é o que eu sinto e penso. O meu querer não se fixa. Talvez eu esteja fadado à infidelidade ou à estranha condição de ser só. Peço perdão, mas não é culpa de ninguém, é tão somente a minha natureza. Talvez eu me arrependa de tudo o que escrevi até hoje, inclusive isso. Talvez não. Porque eu amo os pássaros que voam livremente.

Momento III

Eu amo tudo aquilo que eu não conheço. Embora eu também ame tudo o que conheço, tais coisas  às vezes me arrastam, e às vezes pressinto que fui longe demais. “Melhor parar! / ou vou me desvendar”, já disse uma certa poetisa. E eu preciso ocultar-me na sombra daquilo que nunca é dito. Portanto, perdoai.


Edimar
17/01/2010

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Dimensão improvável

14 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Tem pessoas que gosto tanto, tanto, que jamais saberei dizer. Eu poderia dizer: “um tanto assim, ó…”, e abrir bem os braços, mas não teria envergadura suficiente, nem que eu fosse um gigante. Às vezes até penso em citar nomes, mas isso poderia criar problemas. Amar pessoas deveria ser mais simples. Tão simples quanto amar os quadros pintados por Renoir. Eu não as quero pra mim – na verdade eu não quero ninguém pra mim – e talvez justamente por isso é que posso dizer que amo. Eu as contemplo, e às vezes entendo o que sentem. Às vezes passo a sentir o mesmo. Saio enriquecido por suas maneiras de ser e viver. Às vezes vivo uma experiência de comunhão de olhares, e saio enriquecido de alguma forma que não entendo bem. Algo do inconsciente sagrado.

Tem pessoas que mal sabem que eu existo, e que eu colocaria no primeiro escalão da minha lista de estimados. Se eu lhes dissesse isso, provavelmente se surpreenderiam. É que não pertenço ao grupo dos seres objetivos que sabem mensurar, dimensionar, e consequentemente, falar. Meu amor é a-dimensional, e é a única novidade eterna e indizível. Jamais será provado.

Edimar
14/01/2010

La Mere aux Oies - Renoir

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Palavras ao vento

13 de janeiro de 2010 1 comentário

Será que estou conquistando a tão sonhada independência literária? Será que consigo transformar pessoas em literatura e assim ficar mais próximo delas, e até melhor que isso, tornar-me um descobridor de seus segredos a partir do momento que palavras surgem de algum lugar? Já que não posso viver com ela, e já que não posso viver sem ela, para não entrar em parafuso vou fixar-me nos únicos meios de comunicação que me deixam à vontade, expondo minhas frágeis competências individuais, afinal de contas, em algum aspecto a gente precisa deixar nossa marca ao longo da vida. Pode não ser muito, mas é o que as minhas forças permitem, por ora. Talvez não seja compreendido pelas “moscas da praça pública”, mas recuso-me a agir como um capitalista idiota. Sequer consigo, na verdade. Talvez isso me prive de conquistar riquezas com facilidade, afinal não sou “esperto” o suficiente para enganar os outros e por incrível que pareça ainda acredito nas pessoas. Enfim, não importa; consciente das leis de causa e efeito e do equilíbrio universal, sigo deixando pelo chão “a casca dourada e inútil das horas”, como disse Quintana. Apesar disso, pressinto que ainda serei terrivelmente acusado por minha própria consciência, acerca de coisas que nem sei, no momento. É mister que seja assim, de um jeito ou de outro a gente aprende. Não julgo ninguém, ou não pretendo; a forma de me vingar daqueles que me subjugam, é anulando esse padrão de comportamento; é evitando criar situações constrangedoras ou conflitos desnecessários com quem quer que seja; é tentando ser o melhor que posso, pois a única forma de curar uma sociedade doente é começar curando-se a si mesmo. Pode parecer clichê, palavras bonitas, mas o que mais me resta nessa festa? Estou jogando palavras ao vento, tentando ser mais impulsivo em relação a qualquer coisa que apareça sob a forma de pensamento, por mais idiota que seja.
Hoje começou o BBB 10, o programa mais absurdamente idiota e medíocre da história da televisão. Faço questão de não assistir nenhum episódio, mas não consigo evitar de ouvir falar nele e me indignar. Nem sei por quê ainda me indigno com as coisas, espero que isso não resulte numa gastrite ou algo do gênero. Mas ainda acho que deve haver alguma menção ao BBB no Livro do Apocalipse, vou dar uma verificada.

Hermann Hesse

O que me alivia é o contato com as plantas, ou a visão das estrelas, ou as palavras de Hermann Hesse, um dos maiores escritores de todos os tempos. Eu me identifico totalmente com sua forma de pensar e enxergar a vida. A matemática me ajuda também muitas vezes, pois a graça dos números me traz experiências quase religiosas, conforme a natureza do problema.
Tenho certeza que tudo está sendo visto e planejado por seres invisíveis que comungam entre si uma existência muito superior à racionalidade do homem. Por exemplo: quando algo sai errado e justamente por ter saído errado é que acontecem alguns eventos “por acaso”, na verdade não foi “por acaso”. Confuso? Vou tentar explicar melhor. Imagine que eu estou andando na rua, e sem querer dobro na esquina errada, e isso me faz encontrar certa pessoa e desencadear uma série de eventos que eu não podia sequer ter imaginado. Por acaso? E se eu tivesse dobrado na esquina certa, então tudo na minha vida poderia ter sido diferente? Claro, mas é impossível saber como, porque tudo sempre pode ser diferente. Sempre, a cada segundo. É só questão de escolha. Mas é melhor não olhar pra trás, pra não virar estátua de sal, e nem olhar nos olhos da Medusa, para não ser petrificado.

Red Special

E nada como o bom e velho Rock’n Roll para trazer também algum alívio. Ele às vezes me irrita, mas em geral me arranca da minha melancolia inata, e isso por si só já é plenamente compensador. Dia desses, durante uma viagem, ouvi Janis Joplin e a sua voz marcante me encorajou a viver. Roy Orbison parece amor antigo numa cidade grande, dentro de algum carro e sozinho no meio da madrugada. Queen é êxtase sonoro; a guitarra de Brian May canta quase tão bem quanto o próprio Freddie. Beatles e Pink Floyd (e o “diamante louco” que segue a brilhar), viram de pernas pro ar todos os meus padrões de pensamento. O grande Raulzito, em sua maluquice controlada, inicia-me nos mistérios de sua perfeita expressão de autenticidade. Impossível citar tudo nestas poucas linhas, por se tratar de tema imensamente amplo. Basta que seja rock, cujas guitarras me levem ao âmago de qualquer coisa que valha a pena, que abale as estruturas caducas em que nos apoiamos.
Não sei pra quê tudo isso, mas metade de mim está ligeiramente feliz por minha quase perfeita expressão de saúde física. Feliz por coisas aparentemente pequenas, cujo valor raramente é notado. Feliz até por conseguir escrever um texto que julgo ser tão prosaico.
A outra metade de mim confunde-se naqueles labirintos mágicos de sempre… e você, que está lendo aí, saiba que, embora não pareça… eu sinto a sua falta.
“Não posso viver com você…. e não posso viver sem você…”
E só vou parar porque estou cansado. Até a próxima!

Edimar
12/01/2010

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A grande nostalgia

11 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Saudade de alguém, de algum lugar, sabor perdido, matiz invisível, sonho interrompido.
Saudade da razão pura e cristalina, das venturas de criança, da empolgação com teatrinho de sombras.
Saudade de qualquer coisa súbita. Gargalhada, beijo, pulo, susto, alívio.
Mas saudade ainda maior de uma certa independência psicológica, para sorrir na distância deleitando-se com as bobagens que sempre pensei e nunca soube explicar. Não quero o compromisso íntimo de explicar a ligação oculta entre o néctar e as abelhas, entre o tempo e as lágrimas, entre a frequência cerebral e a consciência de sonho.
Ontem, caminhando só, li por 2 vezes: “Jesus te ama”. A grande nostalgia apoderou-se de mim, e alguma coisa ficou diferente.

Edimar – 11/01

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Jogos mentais através do espelho

8 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Era uma vez, alguém que queria dormir, quase sempre. Quando não queria dormir, queria jogar dados com o diabo, pra perder o sono. Alguma novidade desconhecida poderia lhe excitar os nervos, como se o mundo ainda fizesse algum sentido, como se os ponteiros do relógio tivessem a consciência de estarem se movendo por alguma missão que justificasse a plasticidade dos pensamentos e suas ações resultantes. Às vezes, a vida parecia boa, e os entes vivos pareciam desejáveis de serem degustados, e o excesso de desejo causava sono, muito sono. Pra não se perder no sono da morte, havia o diabo, a ser procurado nas esquinas, no fundo dos copos, no fundo das orações.

Esse alguém concluiu que deveria jogar no lixo todas as conclusões, e amaldiçoou-se por isso, e por fim deu-se conta de que a vitória é impossível, ela não existe. Mas só os sonâmbulos se preocupam com isso. “Quando eu acordar”, pensou, “não vou pensar a existência porque não dependerei mais dela”. Mas os livros de auto-ajuda lhe dão sono, e os padres também, enquanto o rock’n roll lhe mantém ligado. Ligado em quê? Ligado na não-aceitação de coisas que é incapaz de incorporar ao seu convívio, incapaz de enquadrá-las dentro limites de tolerância. Quem aceita, não enxerga o espelho que Satanás está segurando, tal qual um escudo. Todo bem que é refletido no espelho de Satanás, cedo ou tarde nos sonambuliza. As mulheres são belas mas inalcançáveis, de seus corpos falta emanar o calor essencial.

Ele pensa em quebrar, na cabeça do diabo, o espelho. Depois, em convida-lo a ir ao bar mais próximo tomar uns tragos, e iniciar uma sessão de jogos perigosos, até que amanheça. E um dos dois, totalmente desperto, proclamará a vitória. Talvez impossível, mas deliciosa.

Edimar

26/12/09

“Portanto, qualquer um que deseje conhecer a psiquê humana seria mais bem aconselhado a dar adeus a seus estudos e vaguear pelo mundo com o coração humano. Ali, nos horrores das prisões, asilos de lunáticos e hospitais, em desmazelados bares suburbanos, em bordéis e infernos de jogatina, nos salões elegantes, bolsas de valores, encontros socialistas, igrejas, reuniões espiritualistas e seitas extáticas, através do amor e do ódio, através da experiência da paixão em todas as formas em seu próprio corpo, ele colheria um volume mais rico de conhecimento do que lhe poderiam proporcionar muitos milhares de páginas de livros especializados, e saberia então como curar os doentes a partir de um conhecimento real da alma humana”.

Trecho de Obras Completas de C. G. Jung, vol. 7

“Para subir, é preciso descer.”

Jesus Cristo

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Compreensão original

7 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Atreva-se a abrir as mãos e virar as palmas para cima, depois para baixo, lentamente. Aprenda a experienciar, ouvir os chamados da vida e atende-los quando chegar a hora, como o tempo que uma flor tem para se abrir, enquanto aceita a incidência dos raios do sol, em paz e silêncio. Tire proveito da influência opressiva dos monstros que habitam as regiões mal-iluminadas do teu ser, e que te jogam numa espiral de confusão, tão irreal quanto qualquer outra coisa. Mergulhe fundo na presença asquerosa desses monstros que por ora te subjugam e te polarizam em alguém com falsa visão. Mergulhe, até que consiga rir deles, e perguntar-se sobre o que há para ganhar, ou para perder, no final das contas. Se achar a resposta, você estará em condições de superar qualquer imagem construída pelo medo, para então finalmente sentir, experimentar, sorver o doce mel dos fenômenos puros. Você terá desabrochado e poderá morrer com as mãos abertas, debaixo do temporal da verdade e do amor que te ensinou a viver.

Edimar

24/12/09

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