Tristeza da lua

19 19UTC fevereiro 19UTC 2012 Deixe um comentário

 

Hoje eu vi a tristeza da lua.
E disse a ela: cura meu inconsciente.
Ela olhou-me impassível, tranquilamente triste.
E nada disse.
Refletiu a luz solar, depois escondeu-se
em meio à névoa de pensamentos.
Então entendi a luz, o reflexo, a translucidez de sua forma visível
(especialmente aos poetas e construtores de sonhos),
enquanto os reféns do conceitual
a vêem opaca, porque jamais amaram.
Lua reflete,
Sol ilumina
A minha própria tristeza que vejo nela
(confidenciou-me depois, e prosseguiu sussurrando
em meu ouvido as linhas que escrevo).
Enquanto os grilos, disciplinados, cumprem seu ritual noturno,
extasiados na própria essência da luz suave
que os rege como uma única alma,
libertos de existir, noite adentro.

Edimar
Fev/2012

CategoriasPosts

CISNE

27 27UTC janeiro 27UTC 2012 Deixe um comentário

Tudo encontra-se no círculo
que se expande em nosso ser
para além do ser, sem traços
o vento vem me dizer
que a flor ignorada
bem no centro, desenhada
por seu próprio florescer
me distancia das dores
dos marginais dissabores
e das linhas, curvas e cores
que compõe o meu querer
onde a vida tem espaço
começando com um traço
e acolhendo inferno e céu
ocultados por um véu
sob a forma do compasso.

Coração descompassado
bate asas no horizonte
do lirismo libertado.
E na fonte, a beber
da água e do transcender,
como um pássaro sonhado
segue o coração de luz
pela ponte que conduz
aos destinos desenhados.
Nas cores de sua extensão
pela lógica ou intuição
o amor, concêntrico, refulge.
Repousa na visão mística
que dura um eterno momento:
um cisne formando ondas
de puro arrebatamento.

Edimar
26/01/2012

CategoriasPosts

“The lunatic is on the grass…”

8 08UTC janeiro 08UTC 2011 Deixe um comentário

Aos leitores assíduos deste blog (rs), acho que devo uma explicação. Há tempos não escrevo nada por aqui. Isso se deve ao fato de que estive ocupado, passando uma temporada no Inferno. O choque foi tão grande que fragmentou todo o meu campo mental. Somente agora é que gradualmente está ocorrendo uma reconexão das minhas sinapses cerebrais. No entanto, não estou bem certo se ainda vou tornar a escrever por aqui. Por ora, a intensa mudança de energia me traz outras prioridades. Nesse momento há muita, muita vida acontecendo. Um novo nascimento à custa de muita dor. Os velhos padrões ainda borbulham como uma infecção sendo expelida. Nesse processo, só a luz do silêncio pode me ajudar e me trazer de volta o verdadeiro reconhecimento do AMOR. E o tempo, talvez, acalme a Pequena Grandeza que está em mim.

CategoriasPosts

Campos de camomila para sempre – parte II

6 06UTC agosto 06UTC 2010 1 comentário


As coisas são como elas são: invisíveis.

As roupas que vestem as coisas nem sempre são como deveriam ser. Estão sob vigília do alimentador de fantasmas. São distorcidas no oceano das influências. Quando a vida acontece, a maré sobe; e quando a maré sobe os fantasmas despertam de seu sono.

A luz está lá: um pouco além da abóbada de proteção. Aqui dentro tudo precisa ser constantemente reconstruído num esforço inglório de imagens mentais que perpetuam a ilusão e a embriaguez sonâmbula dos fantasmas. Fujo da idéia de dissolver crenças e valores artificiais. Assombra-me a necessidade de transpor o muro onde desenharam a imagem do meu próprio deus. Do outro lado, campos de camomila; será que estarei vivo pra sentir o aroma?

Quem quer estar vivo? Minha essência busca a essência da camomila. Ela sabe de suas pétalas brancas e seu miolo amarelo: ela sabe e não se pergunta nada. Os anos passam e junto com eles passa o sabor de muitas paixões; morrem os argumentos de muitas teorias; objetivos egoístas perdem impulso; a cada alegria comprada, um retoque na imagem do meu deus desenhado no muro. A dor lancinante surge das entranhas da terra infértil, fazendo-a tremer e abalar as estruturas do meu mundo conceitual. Nas entranhas da terra percorrem os nutrientes da vida que nasce e morre. Do céu vem a luz que se perde e se distorce na região das deidades, a mesma luz que veste as flores da camomila com sua cor legítima, porquanto ela é o que é, além da cor, além do riso e da dor dos homens no seu exílio.

Muitos são os atalhos que conduzem a diferentes níveis de confusão, e um só é o caminho que leva aos campos. E eles sempre estarão lá.

Edimar
05/08/2010


CategoriasPosts

Lei do Número Mágico

25 25UTC julho 25UTC 2010 Deixe um comentário

Não quero mais o jogo das sombras em movimento.

Quero a leveza de ser mais e parecer menos.

O ouro cai sob a forma de gotas esparsas quando a mente se abre e o coração se acalma.

O amor não é mais uma especulação filosófica. O amor é um furacão. Tira todas as coisas do lugar e nos conduz até o mistério original.

O amor quer me fazer melhor. Ambiciona me levar além das minhas próprias forças. Me purifica no frio da ausência marcada pelos relógios. Resgata-me do meu eu ilusório e altera o foco da minha busca.  Por fim, anula os conceitos de “viver” e “morrer”, pairando acima deles, acima de qualquer ciclo temporário.

Os tesouros almejados são diferentes daqueles que os homens cegos buscam. São vistos somente por quem sente a dor de estar verdadeiramente vivo.

O ouro do espírito reluz na presença da criatura amada. Seu valor aumenta quando é dividido, refletido, polarizado. Brilha como Sol!

Esse brilho, cedo ou tarde, rompe as cadeias do tempo que impedem a expansão dos seus raios. Gradualmente, o potencial infinito de amar, já purificado, encontra seu rumo e transforma-se em VIDA. Sonhos intangíveis transmutam-se em formas e cenários reais, outrora guardados no coração das almas que, um dia, se olharam, e a mágica aconteceu.


Edimar
24/07/2010

“Love is a cosmic, magical number… add, multiply and divide.
(Raul Seixas – Love is Magick)

“This flame that burns, inside of me… I’m hearing secret harmonies…
(Queen – A Kind of Magic)

“O amor é a lei. Amor, sob vontade.
(O Livro da Lei)

Igni Natura Renovatur Integra (o fogo renova integralmente a natureza).

CategoriasPosts

Samsara

21 21UTC junho 21UTC 2010 Deixe um comentário


Tão somente um conjunto de experiências. Eu conheço as cartas, os dados, as apostas. Gira a roleta trazendo uma ansiedade anestésica, gira a roda das noites mal-dormidas, gosto de sangue na boca, juramentos impulsionados pela ausência de si. Submersa está a intuição que capta o sentido oculto do sim e do não, quando são ditos sob a influência de um astro qualquer. Quero essa alegria visceral que depende de uma arma quente ou dos ponteiros de um velocímetro. Vejo com o canto do olho, levemente desconfiado, a movimentação nas bolsas de valores, nos prostíbulos e nos palanques eleitorais. Mas eu grito, eu acumulo, eu ejaculo, e a roda gira.
Oscila de um extremo a outro, em questão de minutos. Estradas certas construídas com tijolos errados .
Saber que sinto, sentir que amo, amar o cálice e o seu conteúdo, calar-me com o estilhaçar do cristal no chão e o líquido esparramado, múltiplas vozes que se calam dentro de mim, e que outrora gritavam palavras confusas aos quatro ventos…


Um pouco de paz. Pássaros lá fora formando acordes nunca antes ouvidos.
Água corrente…………….


Novo recipiente, idéias em formação na água fecundada no clarão da lua. O frio da noite fazendo germinar a loucura, a espera desesperada pelo calor do fogo. Sopram os ventos e eu, perdido em algum ponto sem dimensão, entre o ser e o não-ser, vou repensando os velhos ideais, as promessas que fiz no meu sono eterno. A realidade telúrica cai em cima de mim, a tempestade traz o som de alguma paixão antiga. Pequenos clarões afastam os vampiros que se acercam de mim quando o sono me domina. Pronuncio o nome dela, aquela que me salva e me condena. Olho incessantemente para os lados. Sorrio amargamente ao perceber as formas de maquiar minha miséria íntima. Depois sorrio de forma convincente no meu casulo de luz artificial, no qual estou sozinho, SOZINHO! Depois, medo. A iminência do perigo da morte, decrepitude, destruição, salteadores e ladrões de sonhos. Sonhos minuciosamente desenhados…

Alguém tocou no meu ombro. Deixei de olhar pros lados, e gradualmente meu coração diminuiu o ritmo. Fixei meu olhar num ponto só. A máquina humana, autômata, desligou-se. Algo me fez enxergar quem sou.

Silêncio, e depois novos acordes, numa oitava acima, desta vez vindo das esferas celestes. A vida deixa de ser um erro, afinal. Os campos harmônicos são eternos. Até que caia o próximo véu.


Edimar
21-06-2010

CategoriasPosts

Dos pensamentos bem-aventurados, ou a escada para o mito

5 05UTC junho 05UTC 2010 Deixe um comentário

A vida imitando a arte, é um espetáculo triste, divertido e belo. Sobretudo quando me ocorre que eu mesmo sou protagonista de uma peça com nuances shakespearianas. Se alguém achar que isso é delírio de uma mente prestes a entrar em erupção catatônica, o que muda é apenas o roteiro, e cria-se assim um paradoxo, ou talvez aquilo que, em programação de computadores, chamamos de recursividade. Não dá pra fugir disso, não dá pra olhar de fora, enquanto se usa do pensamento. E todo pensamento que ousa aprofundar-se em si mesmo, acaba atingindo o abismo do surreal. Uma extrema falta de lógica que só pertence aos domínios da arte, a qual possui, por excelência, a função de desviar-se de qualquer padrão mental, ainda que se utilize destes, como ferramentas. “Bem-aventurado todo pensamento que me leva até você”, já diz a música de Daniel Salve. Quem é você, nesse caso? Você é um símbolo, um mito, um arquétipo. Pode ser a mulher que transforma meus ideais, minha forma de enxergar o mundo, minha falsa noção de mim mesmo e das coisas que eu (achava que) sabia. Uma chave. Aquilo que me faz entrar em contato com meus mais profundos medos e dilemas, arraigados no inconsciente cheio de portas, desfiladeiros subterrâneos, passagens secretas ocultas em diversos pontos do labirinto, levando a descobertas inimagináveis, pontos de luz e esconderijos de monstros. Alguma força irresistível (amor??) me atrai para esse caminho sem volta, o caminho da arte, da loucura, o caminho que não se limita, que percebe o valor do deslumbramento, da surpresa, do inesperado de si mesmo. O pensamento bem-aventurado é como o rio que se dirige ao mar impelido por essa força mágica, e que se perde, que não se orienta mais por suas próprias margens e noções de certo e errado, bem e mal, dia e noite.

Eu tenho medo, mas vou experimentar o teu poder sobre mim. Mais forte que o medo é o magnetismo do teu olhar fixo, querendo dizer algo que não sai em palavras. Querendo me conduzir para algum lugar ignoto, com mais beleza e menos dor, algum lugar que faça a vida (ou mesmo a morte) valer a pena, onde o anseio pela arte régia seja tão intenso quanto o desejo que um corpo tem pelo outro. É mais fácil ansiar pela morte do que pela vida, a verdadeira. Mas a minha sina me leva a um querer diferente, onde há tensão, experiência, medo, êxtase. Onde há sonhos e poesia, lampejos de eternidade. Situações e personagens que nem mesmo Goethe teria previsto em seus momentos literários mais inspirados.

Mesmo que ao final de tudo, TUDO SEJA CONSUMIDO PELO FOGO.

Edimar
04/06/2010


And in the end… the love you take… is equal to the love… you make…
(e no final… o amor que você leva… é igual ao amor… que você faz…)

The Beatles

***

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.

Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

(Álvaro de Campos, em “Lisbon Revisited”)


CategoriasSem categoria

Um estranho no vazio

24 24UTC maio 24UTC 2010 Deixe um comentário


Silêncio e abertura.
O que eu falei sobre abrir as mãos lentamente?
Não sei, não sei…
Meu espírito ainda não assimilou minhas próprias palavras.

Há um abismo muito grande entre mente e coração.
Há uma legião de animais peçonhentos se enfrentando na minha cabeça.
Estou cansado de sentimentos contraditórios.
Mui raramente minha consciência diz: “é tudo um sonho”.
Mui raramente me sobrevém a calma dos seres eternos.
Seres distantes da sombra do mundo, cujo valor não é medido de forma relativa.
Eu sei mas não compreendo.
A resposta do problema não me ajuda se eu não conhecer o processo.
Por ora, tudo o que posso dizer é: “não faz sentido”.

Não faz sentido:
Alegria, números, calor do fogo,
paixões, medos obscuros,
sucessão de dias e noites como um relógio perfeito,
úteros, cemitérios,
barulho, ostentação, vaidade,
direita e esquerda,
operadores de telemarketing,
tardes de domingo,
tardes de sábado,
quaisquer tardes,
Não faz sentido qualquer tipo de opinião própria.
“Embriaga-te sem cessar”, já disse um poeta francês.

Talvez estejamos todos sendo enganados.
E a vida esteja sendo guardada secretamente dentro de algum cálice ou do botão de alguma flor esquisita.
Sim, de fato estamos sendo enganados por seres mitológicos horríveis que roubam o brilho da luz e assumem o controle de nós, marionetes estúpidas que precisam constantemente fabricar luz artificial à custa de muito esforço.
Todas as opiniões são vãs…

Olhe no fundo dos meus olhos. Eu quero que você veja minha alma desnuda, e não aquilo que eu tento mostrar. Quero que você faça amor com minha alma e me liberte deste rastejar interminável. E então, numa comunhão profunda, eu conseguirei calar-me, e deixarei de lado todas essas quimeras existenciais. Teu olhar há de ser como o cálice, como o botão da flor, recolhido no meio do deserto, do qual por longos anos venho tentando fugir caminhando em círculos. Somente a ti poderei dar a resposta que nenhum de nós dois sabia; somente com a tua chave é que a porta se abre. Silenciosamente, com o testemunho da lua e de bilhões de estrelas que queimam sem saber por quê.

Edimar
23/05/2010

CategoriasPosts

Sol da meia-noite

17 17UTC maio 17UTC 2010 Deixe um comentário

Sol da meia-noite

Uma canção distante vem anunciando o novo amanhecer…

Muito já fiz e muito já sonhei…. em mundos paralelos já mergulhei, brincando com a arte das formas e a intuição do que não se vê… alternando entre dor e alegria, duvidando de mim, das cores e da renovação; e depois tornando a acreditar, sentindo a nostalgia de algum sonho perdido, escondido entre sombras, fora do tempo, longe das regras, oculto nas noites de quinta. Sim, é  a tua presença, novo alento, Sol que se mostra no auge da noite. Nossos corações são lapidados pelo calor da entrega, nossas almas se comunicam em palavras inaudíveis, na consciência da própria luz refletida. Tua luz se reflete em mim, e então eu te vejo, com outros olhos. E vejo a vida em seus caprichos, demonstrando o poder maior que nos move e orienta. Superando tempo, espaço, papéis assinados. A vida afirmando que, embora tudo passe, algumas coisas são dignas de se tornarem eternas, na memória da natureza, no Livro dos Dias, nas noites com Sol. Quando a alma, que só mostra uma pequena parte de seus mistérios, fica surpresa de si mesma, temendo sentir coisas que venham a extrapolar os limites do corpo.
De repente, um novo dia. O amor que a tudo abrange. Entre o susto e a alegria, pronuncio teu nome…

Edimar
15/05/2010

CategoriasPosts

Arco-íris

21 21UTC abril 21UTC 2010 Deixe um comentário

She's like a rainbowEla é como um arco-íris.

Tão perto, tão longe.

Parece que dá pra tocar, pra delimitar cada centímetro da curva perfeita, até atingir o segredo oculto no final.

O ouro guardado por criaturas mágicas está logo ali onde a vista alcança mas as mãos, não.

O brilho que reluz é muito pouco diante do brilho latente, que não se mostra.

As cores são reais, e só de longe consigo vê-las. Mas preciso estar perto para sentir a conexão vital do sol e da água. Sentir as cores de olhos fechados, num caleidoscópio sem lógica, como eles disseram.

De repente, se desvanece… ponteiros voltam a girar, planetas também, a lúcida claridade do meio-dia invade a sala de estar… e de novo, e de novo… até que algumas gotas de percepção tornem a cair sobre nossos telhados iluminados e a seqüência de cores se forme, mais uma vez, naquela imagem distante e agradável aos meus olhos. E eu sigo o caminho que leva ao mistério; meu corpo tem suas maneiras de pressenti-lo, e de transformar-se. Evoca-se um turbilhão de imagens que guiam todo o processo, visando um único fim, que é o de saciar a sede de um amor pagão. Contemplação na distância… e pulsação na presença.

Edimar
20/04/2010

CategoriasPosts
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.